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domingo, 8 de maio de 2011

Renoir - Le déjeuner des canotiers.
pela primeira vez, em alguns anos, finalmente senti o verdadeiro esplendor desta obra sempre tão destacada pela história do impressionismo. Sempre senti um fascínio por esta corrente e também em especial por renoir, mas esta obra não fazia parte das minhas preferências. Sempre achei que faltava entender alguma coisa...Já estudei vezes sem conta, mas hoje ao acaso folheei um livro de grande formato na biblioteca de Viana do Castelo sem pensar sobre o assunto, apenas apreciava as gravuras, sobressaiu então este quadro e senti o que faltava...entender...do nada...simples.
deixei-me atenta a mesma uns 15 minutos, a pintura era de um formato aproximado ao A2 com uma qualidade bastante razoável de imagem. Nesse espaço de tempo senti um formigueiro no quadro em constante movimento. as pinceladas focavam e desfocavam a cena do almoço. Como se elas tivessem autonomia para decidirem o seu lugar na tela. Ressaltavam na perfeição a individualidade de cada personagem da cena, e se uma delas faltasse o quadro cederia à gravidade e perderia o seu equilíbrio. As cores fundiam-se e sobrepunham-se naturalmente. O meu encantamento centrava-se na pincelada solta e "descomprometida" de realismos. Todas elas escolhiam à risca o local certo, como feitas para ali estar. Todas imprescindíveis. As cores deixadas como definição das sensações e não dos objectos em si. O interesse está precisamente aí, na indefinição do objecto e sobretudo na exaltação das sensações que as cores e as pinceladas evocaram.
k.

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